segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Warat está vivo

Não posso deixar de exteriorizar a minha tristeza pelo falecimento de Luis Alberto Warat. Isso porque talvez a morte nos deixe despidos com nossas impotências. Entretanto, não é pelo choro e pela lamentação que quero me referir a ele... muito pelo contrário...


WARAT ESTÁ VIVO


Há quem diga, chorosamente: Oh que desastre, Warat morreu.
Eu vos digo: NÃO!

Warat não era só um corpo, Warat é um movimento, um sentimento.
Surrealista que sempre foi, Luis agora continua sendo Luis, continua sendo Luz.
Entretanto, outra forma ele assumiu, mas Luis ou Warat ele nunca deixará de ser; seu surrealismo prova isso.
O relógio de Salvador Dalí é ainda um relógio, por mais que tenha assumido outros contornos.

E mais do que  um relógio, Warat é atemporal; é eterno, como o AMOR.
Revolucionário, transgressor, audacioso, enfim, amoroso. Não poderia ser outro o mentor deste blog.
Devo a Luis muito mais do que a minha curta vida intelectual, devo-lhe muito amor.

Warat, não lhe direi adeus, pois sei que está em forma de sentimento amoroso habitando em nossos corações.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Por um Natal mais pervertido

Esta é pra contrariar quem sempre disse que o Papai Noel era pedófilo.













Se bem que essa aí tem uma cara de menininha...hahahaha

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A história (de Natal) de um menino

Este conto inicia a "saga" de histórias de Natal que aqui serão contadas, sempre trazendo uma reflexão sobre a vida, o amor, as pessoas e as (conturbadas) relações entre elas, sobretudo nessa etapa do ano. Serão postados contos e poesias em forma de fragmentos, não só fragmentos de livros, de textos, mas fragmentos da vida, de observações sobre ela.

(Começa a história...)
Chegada era a temporada natalina. Lá por volta do dia 15 de dezembro e o menino carente continuava a perambular pelas ruas da SUA cidade. Ele nada tinha de patrimônio, mas o bom e justo coração, aliado à visão holística que recebera como dádivas, permitiam-lhe crer que tudo era (também) SEU.

Adorava analisar as pessoas, sobretudo numa época em que elas saem com maior frequência e interagem umas com as outras mais intensamente. Era um psicólogo sem ter sequer estudado a 1ª série do Ensino Fundamental. A genialidade, mais que racional, era sensitiva, emocional.

Cada um que se compadecia com a situação do menino carente oferecia-lhe refeição e vestimentas novas, alguns até brinquedos desejados por milhares de crianças. O menino carente, amável e humilde que era, aceitava o alimento, mas recusava vestes mais belas e brinquedos que, ao invés de lhe lhe fomentarem o sonho, castravam-lhe, porque simbolizavam uma realidade pronta e acabada - e, portanto, imutável.

O que o menino realmente queria era dialogar e DAR abraços em tantas pessoas quantas isso fosse possível. O diálogo representa a reciprocidade ética, uma relação intersubjetiva ente diferentes, mas iguais; e o abraço, ao passo em que é dado, é recebido, e designa a união de irmãos separados por edificações culturais e econômicas. Falar em união não é reduzir a "um", mas, transgredindo a linguagem, trazer a lume o "Entre-nós", e por que não dizer: criar um terceiro (e até um quarto) sujeito que é o "Eu-ético", decorrente da relação do Eu com o Outro.

Contudo, ninguém desejava ouvi-lo. Do mesmo modo não queriam lhe falar de si, afinal em que poderia um pirralho carente contribuir, se a si próprio não havia cuidado adequadamente?

Abraçar-lhe então... que absurdo! O menino era sujo e sujaria de seu insucesso aqueles que o abraçassem, por isso era preciso mantê-lo à distância suficiente para que as atitudes pseudocaritativas pudessem aparecer e enaltecer os seus autores.

E assim prossegui a sua vida: o menino aceitava pão, conversa e abraço; queria alimentar o corpo e o espírito. Enquanto isso, as milhares de pessoas que por ele passavam, indiferentes, estavam afoitas por adquirir um presente para familiares, amigos e para si mesmos. A propósito, sempre voltam-se a si mesmos, mesmo quando presenteiam, porquanto anseiam retribuição.

Aliás, para finalizar sem o fazer e de súbito, indagar é preciso: será carente um adjetivo adequado ao anônimo menino? Serão os presentes a resposta ao problema da existência de seus adquirentes?

PS: Sem verbalizar qualquer resposta, o menino sorri um sorriso jovial e continua de coração e braços abertos à espera de quem o espera.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Segunda (e talvez última) parte de: Espírito e matéria: reflexões de um fantasma em apuros

Quando me contava, Breno deixara escapar que certo desinteresse pela história o acometia. Era perceptível até mesmo uma certa frieza de sua parte, já que considerava meio sem emoção, quase uma trivialidade disfarçada de história importante - parafraseando Warat.

Era uma tarde de um dia qualquer e Breno me contara que há alguns dias coisas esquisitas aconteceram. A primeira delas foi que sentiu uma baforada com fumaça de cigarro em seu rosto de fantasma quando estava prestes a dormir, encerrando suas orações noturnas. Ao abrir os olhos, deu de cara com o vazio. Nada estava à sua frente que fosse possível ver - pelo menos com os seus olhos. Não significa isso, dizia-me Breno, que ninguém estivesse ali, parado ao lado da cama.

Seu quarto é pequeno, e nenhum outro fantasma da espécie de Breno havia fumado naquele local, nem sequer próximo para que a fumaça chegasse até lá. A propósito, havia algum tempo que Breno estava na cama, e até então seu olfato não captara nenhum aroma desagradável qual era o produzido pelo tabaco.

Puxou o ar com força para detectar se era maluquice ou de fato o cheiro permanecia no ambiente: a segunda hipótese preponderou. Digo "preponderou" porquanto Breno olhava de modo aparentemente doentio do ponto de vista psíquico. Com os olhos esbugalhados, mas sem demonstrar medo, a história ia sendo contada.

Disse Breno que certamente era um fantasma de outra dimensão e que apesar de não poder vê-lo, sentiu a presença de alguém diante de si. Além do mais, uma certa movimentação no ar lhe convencia que não estava sozinho. Bastou prosseguir a sua oração, pedindo paz àquele fantasma (mais) debochado (do que Breno) para que o cheiro sumisse.

- Foi embora com o seu fantasma. Disse-me Breno.

Mas dias antes uma forte contração na altura dos ombros lhe atingia. Era uma tensão demasiado intensa que não era passível de eliminação pela prática de certos exercícios e alongamentos (físicos, é claro). Era necessário um exercício fantasmagórico ou espiritual no pleno sentido do termo. Ao que parece as orações e a compreensão dos problemas dos fantasmas que o rodeavam constituíram uma bela prática esportiva...
E assim a conversa ia terminando, não sem antes Breno deixar nas entrelinhas a possibilidade de uma continuação. Sutilmente levou às mãos aos ombros e movimentou a cabeça de um lado para o outro deixando transparecer que alguma dor ou tensão novamente lhe acometiam. Só falta agora as portas internas de seu trabalho abrirem sem que nenhum fantasma de mesma dimensão esteja por perto...

PS: (Talvez seja o último capítulo. "Talvez", pois Breno vive e é imortal: um fantasma imortal - no Amor; daí dizer que capítulos assim possam se repetir, ou nunca mesmo acabar)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Espírito e matéria: reflexões de um fantasma em apuros

Breno era um fantasma desses que andam por aí. Trabalha, estuda, alegra-se e se entristece. Tem ambições e (portanto) carências.
E igual a todos os demais fantasmas de sua espécie, Breno é rodeado por fantasmas que não vê, são fantasmas de outra dimensão, perdidos em busca de luz. Alguns deles podem até falar com ele por formas diversas, mas no geral, Breno somente sente a presença deles. Aliás, é preciso fazer uma correção. A intensidade do sentir e a comunicação por meio de outros fantasmas é muito similar.
É importante lembrar que Breno é um fantasma comum, e que os seus sentidos são limitados. Mais que isso, sua vida é limitada. Ele trabalha, por isso, precisa sair dele e amanhã continuar a história...

(Não percam o próximo capítulo)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ceder ao ódio?

Era uma vez um rapaz
que lutava para ganhar a vida.
Sempre amoroso por mais que ela fosse sofrida,
crente que de tudo o Amor é capaz.

A vida entretanto
do Amor o afastou,
mas ele ainda assim lutou
e não se entregou ao pranto.

Muito menos ao ódio se entregaria
fechar-lhe as portas do coração e expulsá-lo.
Um ato de coragem faria amá-lo,
mesmo sabendo que disso a dor resultaria.

Mas a dor é uma sensação passageira
Maior ela seria sem o Amor
Afinal, viver tem seus percalços malfadados.

Aliás, a vida, por vezes, é também matreira
E se não amasse o próprio ódio ou a dor
Como o rapaz poderia desejar, ele mesmo, ser amado?

Pra quem pensa que tudo tem um preço

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

E você: escolhe o quê?

Há um adágio mais do que popular assim expresso: a vida é feita de escolhas. E você, qual vai fazer? Quer mais de uma? Todas? Você escolhe...


















Imagens extraídas de: http://www.abracosgratis.com.br/eu-escolho/

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Abraços Grátis Parte II - ou De como o mundo pode ser abraçado por apenas uma pessoa: você


Uma vez mais utilizando-me deste espaço, reforço a ideia da Campanha "Abraços Grátis" e convido a todos os leitores (eventuais ou assíduos) do Blog "O Amor: um SIM; um NÃO: uma TRANSGRESSÃO" a manifestar sua adesão à sobredita campanha. Isso pode ser feito de várias formas: enviando um e-mail para ever_luis@ymail.com ou chamando para uma conversa no eversilv@hotmail.com, ou ainda, por meio do próprio Blog, no campo "comentários".

Primeiramente a mobilização será virtual, colhendo assinaturas de pessoas dispostas a participar da campanha. Em seguida, a ideia é ir às ruas implementar o "abraçamento" afetivo.
O vídeo acima mostra como começou a "Free Hugs Campaign". É importante, ainda, ressaltar que Juan Mann, considerado uma espécie de idealizador do movimento, foi reprimido por força policial  em razão da referida campanha, de modo que lutou de um modo sublime contra a regra imposta: conseguiu 10.000 assinaturas como forma de legitimar o movimento. Eis um feito amoroso-transgressor. Vamos cultivá-lo?

Quem tiver tempo (menos de 4 minutos) e ao menos um pouco de sentimento no coração, assista tal vídeo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Campanha "Abraços grátis"

Há tempos que venho pensando em promover uma campanha que já não é lá tão original ou tão inovadora. Já existe e foi realizada em vários cantos do mundo. É um movimento denominado de Free Hugs, ou seja, Abraços grátis.
Certamente muitos que agora leem estas linhas conhecem ou pelo menos já ouviram falar desta prática. Várias são as formas de levá-la a efeito, pois que inexiste uma "receita" ou padrões rígidos para a consecução das suas finalidades.
Aliás, quais são estas finalidades? Bem, em primeiro lugar não se tem um propósito exato, pois se o mesmo existisse o movimento perderia o seu caráter afetivo, amistoso e descontraído. Transformar-se-ia numa obrigação - e aqui a lógica é a da transgressão.
Abraçar significa romper com os muros que nos cercam em nosso próprios mundos individuais, permitindo-nos a entrega afetiva ao Outro. O abraço torna duas pessoas uma (Drummond de Andrade), cria o espaço do "Entre-nós" (Levinás). Esta é a dimensão afetiva do abraço.
Ademais, abraçar significa a responsabilidade pelo abraçado, este que inspira cuidado (Fromm). Abraçá-lo representa protegê-lo e, por conseguinte, ser protegido também. Trata-se da dimensão ética do abraço.
Por fim, algumas pesquisas apontam os efeitos positivos que este tão singelo ato proporciona no tocante à saúde: diminui a ansiedade e o stress, revitaliza as energias, combate a depressão, revigora o sistema imunológico etc. Aqui se fala da dimensão terapêutica do abraços. 
Portanto, deixemo-nos levar por este movimento que expressa a mais alta e sincera igualdade entre as pessoas, rompendo com as edificações simbólicas que nos separam uns dos outros em classes de pessoas, como se fôssemos coisas e, assim, passíveis de classificações totalitárias.
(Assistam o vídeo na íntegra e tenham uma noção do que se trata...)


E então: que tal "abraçar" essa ideia? (quem estiver disposto basta avisar)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fragmento de fragmentos de um autor de fragmentos amorosos

“Desacreditada pela opinião moderna, a sentimentalidade do amor deve ser assumida pelo sujeito apaixonado como uma forte transgressão, que o deixa sozinho e exposto; por uma inversão de valores, é pois essa sentimentalidade que faz hoje o obsceno do amor.”
(Roland Barthes in Fragmentos de um discurso amoroso)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Amor que nasce e do qual o novo nasce












Falar de Amor é falar do novo, do inusitado.
De um impulso que nos faz seguir.
É o Amor uma forma de devir,
Um devir que nos deixa assustado.

Outrora pensava eu que em certo tempo tudo acontecia
mas percebi o erro e alcancei a redenção
Não sabia tão bem o que falava, afinal era uma emoção
Aquelas palavras eram, sem querer, uma profecia.

Considerava que o Amor era um sentimento crescente
Já hoje disso estou convicto,
pois mais do que pensamento

Vi que o Amor não é racional, foge à nossa mente.
Por incompreensível, às vezes parece iníquo,
tornando ainda mais belo esse insólito sentimento.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Soneto à Flor de um poeta (que aprendeu a amar)


Sete anos de Amor
a entender dão, tudo acontece
e se o dia escurece
o afeto lhe clareia e dissipa-se o terror.

À poesia dá-se o autor...
Isso, porém, não o enobrece
pois que tal só acontece
quando dá-se ao Amor.

Sobre a vida o poeta faz a glosa.
Mais que isso ele a brinda
Taciturno ou escandaloso, é sempre assim.

Quer ficar com sua rosa
Bela é a vida; a rosa é linda
Agarra-a ali; ela é seu Amor; seu nome: Roseli.