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quinta-feira, 15 de março de 2012

Congratulação poética

Decidi poetizar,
Afinal "a vida é poesia"
E por mais que seja às vezes fria
É preciso devanear.

Talvez por uma questão de fuga,
ou mesmo por uma homenagem
A poesia cai com uma folhagem
seca sobre uma senda suja.

Suja porque pisada.
Um viver errante de (auto)massacre
Há, por isso, quem fale
que se trata de palavra mal acabada.

É-o não nego
Simplória e funcional, surge de uma necessidade:
a de correr para longe deste mundo de verdade.
Não o fazendo fico irrequieto - sem fazer poesia não sossego.

Mas uma homenagem foi pensada inicialmente
Nesse objetivo é importante dedicar-me:
render cumprimentos tardios e colocar-me
a falar de uma data dedicada ao corpo e à mente.

Ontem foi o Dia Nacional da Poesia
os poetas fizeram festa,
eu não fui nesta
Mas cheguei hoje, juntando os retalhos e tirando o pó da mobília.

Os aspirantes e não poetas chegam depois
quando tudo já está acabado,
Só conseguem pensar aquilo que é passado
Poetizar o que se foi.

Quem sabe me antecipe um dia
ao futuro.
E, saindo de meu (quase-poético) quarto escuro
possa também fazer poesia.

Ser um artista dos versos, um poeta
galgando a bela exteriorização de palavras,
essas verdadeiras armas
que tocam o coração e mantêm a mente aberta.

Devo ainda estar distante,
Penso não fazê-la bem,
Muito menos tocar corações.

Mas estou a buscá-la, cara aniversariante.
Tão profunda e bela assim não tem,
resta-me dizer-lhe: "Poesia, aqui presto minhas congratulações."

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O desfecho

Poema de Machado de Assis para o deleite dos Schopenhauerianos como eu ("viver é sofrer") e para os estudiosos da mitologia prometheica como o André Luan Domingues, com sua proposta ética pautada na alteridade e na ousadia humana de que, como ele costuma dizer, apesar do sofrimento decorrente dos atos de coragem, não devemos abandoná-la. Seja porque pela eternidade é o suplício, mas também o é a liberdade, fruto da luta pela iluminação dos homens quando roubamos o fogo de Zeus; ou ainda, porque se morrermos, como sugerido poeticamente por Machado, renasceremos com a proposta do novo homem, capaz de ser altérico.



Prometeu sacudiu os braços manietados
E súplice pediu a eterna compaixão,
Ao ver o desfilar dos séculos que vão
Pausadamente, como um dobre de finados.

Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião,
Uns cingidos de luz, outros ensangüentados...
Súbito, sacudindo as asas de tufão,
Fita-lhe a água em cima os olhos espantados.

Pela primeira vez a víscera do herói,
Que a imensa ave do céu perpetuamente rói,
Deixou de renascer às raivas que a consomem.

Uma invisível mão as cadeias dilui;
Frio, inerte, ao abismo um corpo morto rui;
Acabara o suplício e acabara o homem.



(ASSIS, Machado. O desfecho. In:  ______. Melhores Poemas. Seleção Alexei Bueno. São Paulo: Global, 2000. p. 77).

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Prosa poética na sala de espera

"A aflição de outrora torna-se angústia agora. Tranquilizo-me um instante, vejo-a, apesar de tudo, radiante. Queria fazer uma poesia; não consegui: que ironia. De qualquer modo precisava escrever: espero-te aqui fora, Sofia, nova razão do meu viver."




PS: Esta “prosa poética”, como decidi intitular, foi escrita quando minha querida Roseli estava na sala do pré-parto passando pelos procedimentos de preparo para dar a luz à Sofia, nossa linda filha. Nos dias anteriores lia eu a “Poética do Devaneio” de Bachelard e, no entanto não pude escrever uma poesia, por mais singela que fosse. Meu senso poético estava um tanto desequilibrado – se é que algum dia teve equilíbrio...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Devaneios (poéticos) sobre o (não) Direito lunar: nudez lunática e liberdade sideral


Aspirações a filósofo...
Feito um grande bibliófago 
ou um poeta sem recursos.

As regras sempre me deixaram perplexo
Prefiro olhar e ouvir a Lua,
que iluminando a noite de um mundo complexo
fala-me o que fazer, mas o faz sempre nua.

Despe-se das vestes do poder,
e a despeito do dragão que carrega
permanece bela no anoitecer,
travando com a escuridão a mais sublime guerra.


A nudez lunar, enquanto fenômeno fantástico
Faz-me um melhor homem, um filósofo, um poeta...
Talvez mais um lunático
De coração amoroso e mente aberta.

O segredo do engrandecimento, contou-me uma fada,
Em tom um tanto erotizado,
que a Lua por “aparecer no escuro”, mostra-se pelada,
Por isso, talvez, deixe-me hipnotizado.

A hipnose da liberdade:
Um lindo pensamento sartreano:
“só não posso deixar de ser livre”:
A lua escraviza libertando!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Aforismo poético (de hoje) para ontem

O Sol é belo, de si emana a luz,
e nos permite sobreviver.
A Lua faz resplandecer
o sentido da vida ao qual ela nos conduz.

Continua...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Hoje é dia de Roseli

Não é um alecrim dourado,
que nasceu no campo sem ser semeado.
Não é uma linda canção que agora soa clichê
É uma rosa bela, é você.

Não é só uma menina feliz,
é a mulher que eu sempre quis
para ser a mãe da minha filha
e transformar a vida numa maravilha.

Simbolizada não por um alecrim,
(o que deveras não seria ruim),
você é a rosa do meu jardim de alegria.
Seu nome é Roseli, e hoje é o seu dia.


PS: Parabéns, meu amor. Perdoe-me por não ter acordado literário bem no dia de seu aniversário, e o presente poético ter se tornado demasiado simplório diante do significado que você tem na minha vida. Entretanto não pude deixar de fazer um breve, incompleto e desregrado soneto, pois não me canso de dizer de diversas formas: TE AMO.
Ao ler o poema, senti-o meio infantil, mas nosso amor é meio assim mesmo, é verdadeiro, não consegue ser dissimulado. Além disso, é dotado de uma ternura que, paradoxalmente, constitui a sua própria fortaleza: quanto mais doce, mais gostoso - embora você prefira café sem açúcar (risos).
AMO-TE!!!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Poligamia não-amorosa

Este é mais um simples soneto, sem respeito às regras para a sua formulação, confeccionado durante alguma das (muitas) aulas chatas da faculdade.


Não preciso amar uma só pessoa,
devo amar com carinho e inspirar confiança
Com brilho nos olhos e muita esperança
Sem viver a vivendo à toa.

Amo sem segredo
e não abro mão do mistério.
Sem jogá-lo no cemitério
exorcizo fantasmas que me causavam medo

O Amor enquanto tal não se fecha
Ao contrário é aberto
Não possui um só amado certo
Amo mais o Amor quando me beija.




Apresento-lhes a poligamia não-amorosa
Aquela que gera dor
Decorre da cegueira que impede amar o Amor
Nela o sujeito não ama, apenas goza.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ceder ao ódio?

Era uma vez um rapaz
que lutava para ganhar a vida.
Sempre amoroso por mais que ela fosse sofrida,
crente que de tudo o Amor é capaz.

A vida entretanto
do Amor o afastou,
mas ele ainda assim lutou
e não se entregou ao pranto.

Muito menos ao ódio se entregaria
fechar-lhe as portas do coração e expulsá-lo.
Um ato de coragem faria amá-lo,
mesmo sabendo que disso a dor resultaria.

Mas a dor é uma sensação passageira
Maior ela seria sem o Amor
Afinal, viver tem seus percalços malfadados.

Aliás, a vida, por vezes, é também matreira
E se não amasse o próprio ódio ou a dor
Como o rapaz poderia desejar, ele mesmo, ser amado?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Amor que nasce e do qual o novo nasce












Falar de Amor é falar do novo, do inusitado.
De um impulso que nos faz seguir.
É o Amor uma forma de devir,
Um devir que nos deixa assustado.

Outrora pensava eu que em certo tempo tudo acontecia
mas percebi o erro e alcancei a redenção
Não sabia tão bem o que falava, afinal era uma emoção
Aquelas palavras eram, sem querer, uma profecia.

Considerava que o Amor era um sentimento crescente
Já hoje disso estou convicto,
pois mais do que pensamento

Vi que o Amor não é racional, foge à nossa mente.
Por incompreensível, às vezes parece iníquo,
tornando ainda mais belo esse insólito sentimento.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Soneto à Flor de um poeta (que aprendeu a amar)


Sete anos de Amor
a entender dão, tudo acontece
e se o dia escurece
o afeto lhe clareia e dissipa-se o terror.

À poesia dá-se o autor...
Isso, porém, não o enobrece
pois que tal só acontece
quando dá-se ao Amor.

Sobre a vida o poeta faz a glosa.
Mais que isso ele a brinda
Taciturno ou escandaloso, é sempre assim.

Quer ficar com sua rosa
Bela é a vida; a rosa é linda
Agarra-a ali; ela é seu Amor; seu nome: Roseli.