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quinta-feira, 15 de março de 2012

Congratulação poética

Decidi poetizar,
Afinal "a vida é poesia"
E por mais que seja às vezes fria
É preciso devanear.

Talvez por uma questão de fuga,
ou mesmo por uma homenagem
A poesia cai com uma folhagem
seca sobre uma senda suja.

Suja porque pisada.
Um viver errante de (auto)massacre
Há, por isso, quem fale
que se trata de palavra mal acabada.

É-o não nego
Simplória e funcional, surge de uma necessidade:
a de correr para longe deste mundo de verdade.
Não o fazendo fico irrequieto - sem fazer poesia não sossego.

Mas uma homenagem foi pensada inicialmente
Nesse objetivo é importante dedicar-me:
render cumprimentos tardios e colocar-me
a falar de uma data dedicada ao corpo e à mente.

Ontem foi o Dia Nacional da Poesia
os poetas fizeram festa,
eu não fui nesta
Mas cheguei hoje, juntando os retalhos e tirando o pó da mobília.

Os aspirantes e não poetas chegam depois
quando tudo já está acabado,
Só conseguem pensar aquilo que é passado
Poetizar o que se foi.

Quem sabe me antecipe um dia
ao futuro.
E, saindo de meu (quase-poético) quarto escuro
possa também fazer poesia.

Ser um artista dos versos, um poeta
galgando a bela exteriorização de palavras,
essas verdadeiras armas
que tocam o coração e mantêm a mente aberta.

Devo ainda estar distante,
Penso não fazê-la bem,
Muito menos tocar corações.

Mas estou a buscá-la, cara aniversariante.
Tão profunda e bela assim não tem,
resta-me dizer-lhe: "Poesia, aqui presto minhas congratulações."

quinta-feira, 14 de abril de 2011

"Coisas que eu (não) sei"

Um dia, conversando imaginariamente com Danni Carlos, a uma altura tal do diálogo, disse-me ela, em tom lírico: "coisas que eu sei". Ela se referia àquilo que falávamos, às coisas acerca das quais divagávamos - coisas da vida.
Eu não tive a mesma segurança dela. Há tempos até me portava meio presunçoso, confiante em minha sensibilidade sobre a vida e as pessoas. Hoje não. Não sei se emburreci ou se amadureci, ou ainda, se antes nada sabia e agora sei o que não sei. Só sei que me perdi, pois me encontro em um lugar que nunca vi, ou que pelo menos jamais tinha olhado atentamente, por mais que sempre fosse aqui.
Um novo olhar ou um novo lugar?
Sei lá.
São "Coisas que eu NÃO sei"!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Fragmentos de subjetividade - ou (simplesmente) saudades...


Passado mais de um mês sem escrever nada no Blog, senti-me nostálgico, quase um saudosista, como se manter o meu amigo cibernético vivo não fosse uma realidade evidente, ou pelo menos provável - sequer possível, eu diria.

Por mais que pareça um exagero - e talvez o seja - a cada dia que deixava de acessar meu próprio endereço no mundo virtual, parecia que o sendeiro de meu "lar" (espaço da minha subjetividade) era apagado no mundo real.

Para ser mais exato, o caminho não se apagava, mas era tomado por folhagens e cipós que, não sendo destruídos pelo repetitivo vaivém da vida a mim mesmo, tornavam-no de acesso (retorno) mais difícil.

Por isso, uma necessidade inconsciente fez com que eu criasse (inconscientemente) novas trilhas, "carreirinhos" mesmo, em busca da subjetividade perdida. Perdida? agora sim exagerei! É que a subjetividade tem uma força que a impulsiona a se exteriorizar. Ser taciturno, ao invés de de desdizê-la, ratifica-a, pois se esconder é também seu modo de expressão.

Confesso que hoje reencontrei o que eu tomava por subjetividade depois de andar pela mesma estrada de outrora. Estava com saudades daquilo que sempre conheci, daquilo que cultivei, daquilo que fui e daquilo que, de certa forma, estou sendo. Mas tenho saudades também dos novos caminhos. Aliás descobri que a subjetividade não se encontra, não se permite encontrar: ela é o próprio trajeto.

Bem, quedo-me nostálgico já daquilo que serei a partir dos inúmeros caminhos, das inúmeras subjetividades rizomáticas que estão e que virão. Saudades de tudo do "labirinto subjetivo" que construí, mas saudades mesmo, para dizer com Renato Russo: de tudo o que eu ainda não vi...