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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O número de Jesus

Poucos sabem. Mas também a Jesus é associado um número. Não é raro que se saiba que o 666 é o número da besta, seja porque foi lido no apocalipse ou porque ouviu algum roqueiro maluco falar que adora "The number of the beast".

Pois bem, ao olhar hoje  as estatísticas do Blog "O AMOR: um SIM; um NÃO: uma TRANSGRESSÃO", fui surpreendido com o número de acessos: 888. Não que isso seja significativo do ponto de vista da popularidade, é claro que não. Por sinal trata-se de uma quantidade muito tímida.

Contudo, senti-me feliz. Não acredito que as coisas acontecem por acaso. Aliás, até acontecem, se chamarmos de acaso o que não pode ser decifrado pela mera razão, mas exige que se reflita com o coração (até rimou...).

Destarte, encontrei-me obrigado a fazer este post, não porque estava eu inspirado ou porque havia acordado meio literário. A propósito, este post é bem singelo, com palavras simples, mas com um escopo demasiado complexo e importante: relembrar Jesus. Afinal, seu aniversário está chegando, e ouvi dizer por aí que ele está bem exigente quanto ao presente pretendido: ele quer de cada um de nós AMOR. E mais, não pede AMOR só para ele. Pede, sobretudo, para que nos amemos entre nós, como um modo de formação do Entre-nós.

E você: por "acaso" vai deixar Jesus sem o presente?


PS: Para quem ficou curioso a respeito do número 888, basta acessar estes dois sites nos quais constam explicações acerca do tema.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A história (de Natal) de um menino

Este conto inicia a "saga" de histórias de Natal que aqui serão contadas, sempre trazendo uma reflexão sobre a vida, o amor, as pessoas e as (conturbadas) relações entre elas, sobretudo nessa etapa do ano. Serão postados contos e poesias em forma de fragmentos, não só fragmentos de livros, de textos, mas fragmentos da vida, de observações sobre ela.

(Começa a história...)
Chegada era a temporada natalina. Lá por volta do dia 15 de dezembro e o menino carente continuava a perambular pelas ruas da SUA cidade. Ele nada tinha de patrimônio, mas o bom e justo coração, aliado à visão holística que recebera como dádivas, permitiam-lhe crer que tudo era (também) SEU.

Adorava analisar as pessoas, sobretudo numa época em que elas saem com maior frequência e interagem umas com as outras mais intensamente. Era um psicólogo sem ter sequer estudado a 1ª série do Ensino Fundamental. A genialidade, mais que racional, era sensitiva, emocional.

Cada um que se compadecia com a situação do menino carente oferecia-lhe refeição e vestimentas novas, alguns até brinquedos desejados por milhares de crianças. O menino carente, amável e humilde que era, aceitava o alimento, mas recusava vestes mais belas e brinquedos que, ao invés de lhe lhe fomentarem o sonho, castravam-lhe, porque simbolizavam uma realidade pronta e acabada - e, portanto, imutável.

O que o menino realmente queria era dialogar e DAR abraços em tantas pessoas quantas isso fosse possível. O diálogo representa a reciprocidade ética, uma relação intersubjetiva ente diferentes, mas iguais; e o abraço, ao passo em que é dado, é recebido, e designa a união de irmãos separados por edificações culturais e econômicas. Falar em união não é reduzir a "um", mas, transgredindo a linguagem, trazer a lume o "Entre-nós", e por que não dizer: criar um terceiro (e até um quarto) sujeito que é o "Eu-ético", decorrente da relação do Eu com o Outro.

Contudo, ninguém desejava ouvi-lo. Do mesmo modo não queriam lhe falar de si, afinal em que poderia um pirralho carente contribuir, se a si próprio não havia cuidado adequadamente?

Abraçar-lhe então... que absurdo! O menino era sujo e sujaria de seu insucesso aqueles que o abraçassem, por isso era preciso mantê-lo à distância suficiente para que as atitudes pseudocaritativas pudessem aparecer e enaltecer os seus autores.

E assim prossegui a sua vida: o menino aceitava pão, conversa e abraço; queria alimentar o corpo e o espírito. Enquanto isso, as milhares de pessoas que por ele passavam, indiferentes, estavam afoitas por adquirir um presente para familiares, amigos e para si mesmos. A propósito, sempre voltam-se a si mesmos, mesmo quando presenteiam, porquanto anseiam retribuição.

Aliás, para finalizar sem o fazer e de súbito, indagar é preciso: será carente um adjetivo adequado ao anônimo menino? Serão os presentes a resposta ao problema da existência de seus adquirentes?

PS: Sem verbalizar qualquer resposta, o menino sorri um sorriso jovial e continua de coração e braços abertos à espera de quem o espera.