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terça-feira, 27 de setembro de 2011

A liberdade amorosa (waratiana)




http://msocorrom.blogspot.com/2010/07/amor-respeito-e-liberdade.html

“De que hablamos cuando hablamos de libertad?(…) 

“La respuesta: hablamos de amor. (...)

La libertad es um acto de ternura que nos despoja de los vacíos, que cancela represiones y alivia el peso de las censuras; de tantas hipocresías y trivialidades disfarzadas de cosas importantes. (…) Libertad: tierra de sombras, adioses, Dolores, partos, encuentros; pero fundamentalmente: tierra de solidariedades."

(WARAT, Luis Alberto. Por quien cantan las sirenas: Informe sobre Eco-ciudadania, Género y Derecho – Incidências Del barroco em El pensamento jurídico. Florianópolis: UNOESC/CPGD-UFSC, 1996. p. 129.)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Chuva... ou pureza vital e incômodo aparente

Hoje acordei com aquele barulho que me fez dormir novamente.
Precisava trabalhar, e uma voz me dizia: "Sei que não quer levantar agora, mas vá em frente, tente!"
Ah a chuva! Como me causa sono. Oh, trabalho, tão bom e importante, mas tão cansativo. Fiquei então pensativo...
Depois de acordar, ideias malucas (beleza) me vieram à mente. E não naquela hora somente. A propósito, agora, de tão malucas que eram as ideias minhas - não sei se o pronome possessivo é apropriado, afinal foram espontâneas, independentes de manifestações volitivas de minha parte - esqueci-as várias. Sei apenas se tratar de certos delírios oníricos em plena chuva do dia.
Oh chuva, quão agradável és tu. (Uma rima neste momento poderia acabar com o modo cortês de escrever).
De ti perdi o medo, vendo gente chorando sozinha pelos (mesmos) cantos (de sempre), imóveis no lugar de onde deveriam há tempos ter saído.
Sempre um delírio musical anima o espírito e melhora o astral. Por tal razão é, que até uma velha canção, cheirando a churrasco, café e plantação vem à tona, sobretudo quando não se pode ver bem pelo parabrisa porque o mecanismo responsável pela limpeza não funciona como deveria, tornando a visibilidade distorcida.
Uma coisa hoje vi que via antes, mas não devaneava com mais afinco: a chuva é como o amor verdadeiro, atrapalham as atividades cotidianas e burocráticas, incomodam porquanto parecem limitar (ainda mais) a nossa liberdade, mas no fim das contas existem para purificar o ar, limpar e tornar o caminho de uma vida seca e árida mais vivenciável. A própria vida se torna mais viva - e que me perdoem os gramáticos mais rigorosos.
Em suma, é melhor ser pego pela chuva amorosa, sentir o desconforto do deslocamento do eixo pragmático da segurança e permanecer molhado de amor - a conotação sexual fica ao alvitre do leitor - , do que trilhar a mesma rota (suja) da secura sentimental, ou pior, quedar-se inerte num (diminuto e egoístico) universo sufocante pela liberdade do desamor e pelos grilhões das necessidades materiais.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Hoje é dia de Roseli

Não é um alecrim dourado,
que nasceu no campo sem ser semeado.
Não é uma linda canção que agora soa clichê
É uma rosa bela, é você.

Não é só uma menina feliz,
é a mulher que eu sempre quis
para ser a mãe da minha filha
e transformar a vida numa maravilha.

Simbolizada não por um alecrim,
(o que deveras não seria ruim),
você é a rosa do meu jardim de alegria.
Seu nome é Roseli, e hoje é o seu dia.


PS: Parabéns, meu amor. Perdoe-me por não ter acordado literário bem no dia de seu aniversário, e o presente poético ter se tornado demasiado simplório diante do significado que você tem na minha vida. Entretanto não pude deixar de fazer um breve, incompleto e desregrado soneto, pois não me canso de dizer de diversas formas: TE AMO.
Ao ler o poema, senti-o meio infantil, mas nosso amor é meio assim mesmo, é verdadeiro, não consegue ser dissimulado. Além disso, é dotado de uma ternura que, paradoxalmente, constitui a sua própria fortaleza: quanto mais doce, mais gostoso - embora você prefira café sem açúcar (risos).
AMO-TE!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

"Talvez" - ou "Breno e um passeio solitário e coletivamente transformador"

Ontem, caminhando pelas ruas de sua cidade, Breno sentia que estava trafegando por um lugar diferente, desconhecido para ele. Na verdade ele sempre morou no mesmo lugar, e o trecho por ele percorrido era habitual.
Talvez o clima, talvez o pequeno número de pessoas, talvez a mudança pessoal que lhe rendeu uma nova visão. Enfim, são inúmeros os "talvezes"...
Outro talvez poderia se referir à leitura que recentemente havia feito da entrevista de Alain Badiou sobre o valor revolucionário do Amor. Temática que tanto o agrada.
Talvez, também, fosse a entrevista de Emmanuel Levinás, transmitida um dia antes de seu caminhar errante em um dia comum, que o tivesse tornado outro.
Talvez, todos os "talvezes" não sejam, "talvezes" quaisquer. Mas talvez o maior de todos os "talvezes" que se entrelaçam e brincam de realidade com Breno seja aquele que cultivou em seu coração a semente da esperança de um mundo melhor, pois Breno ratificou para si que o mundo ao seu redor pode ser mudado quando ele próprio se permitir ser transformado.
Um revolucionário sente que o é, por mais que seu sentimentos candentes tenham por algum motivo sido arrefecidos. E Breno, embora fantasma perambulante que é, sabe bem disso, e mesmo que passe despercebido aos olhos das pessoas, não o será no tocante aos corações destas. Ainda que elas jamais saibam da existência ou do nome de Breno. O valor revolucionário de Breno está para além dele, foge à sua individualidade, e faz de um fantasminha, um espírito melhor, em busca da luz que ilumina seus passos, dando -lhe nova visão e mostrando que os lugares de outrora são os mesmos, mas outros também, e "talvez".
Basta caminhar, acreditar e querer ser revolucionado pelo Amor. É impossível que tal fenômeno não se propague à coletividade, ainda que leve tempo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um passeio ao léu entre pais e filhos: a prática pedagógica do novo – ou o ensino jurídico como um incidente de ternura

O presente post foi extraído do discurso aos mestres redigido e lido por mim na cerimônia de colação de grau, onde alertei os ouvintes da necessidade de não tomá-lo (o discurso) a partir da mera razão, mas apreendê-lo com o coração. Aqui, reitero o alerta...

Do Eu ao Outro e reciprocamente.
Dizendo isso, meu colega André Luan e Eu escrevíamos, durante a graduação, um artigo sobre educação e alteridade.
De algum modo sinto-me repetitivo. Paradoxal, até. Afinal, como defender no título do discurso a abertura para o novo na prática pedagógica e iniciá-lo (o discurso) com aquilo que é não-inusitado?
Ao que parece, a contradição em que me encontro e que me permito declarar-lhes, esconde um fundo pusilânime, pois me mostro em uma posição de segurança e conforto intelectuais caminhando pelos mesmos sendeiros.
Entretanto, devo-lhes dizer que não achei frase melhor para começar. Sinceramente, quando redigi este texto não me sentia muito criativo. Talvez um pouco literário, mas não criativo.
Ademais, enunciar-me com o “do Eu ao Outro e reciprocamente” não implica repetição, mas a ratificação de algo que, por mais que sempre seja dito da mesma forma, adquire um novo sentido a cada vez, visto que a relação proposta, que está para além da dialética e da própria analética (por que não?), é uma relação de afeto e, que, portanto, não pode jamais ser a mesma. Ela é em-si sempre nova, por isso nunca é, mas está-sendo. É a idéia de movimento exterioriza melhor aquilo que se dá em relação.
Então, falemos desta relação:
O professor no curso de Direito assume uma função um tanto quanto angustiante. Ao passo em que é indispensável para fazer inserir seus pupilos no mundo jurídico, ensinando acerca de categorias jurídicas e novos vocábulos, bem como o diálogo entre tais categorias; é igualmente prescindível, porquanto todos os acadêmicos, presume-se, são alfabetizados e, por conseguinte, capazes de entender a problemática do Direito, bastando, para tanto, algumas horas de leituras diárias da doutrina ou de um dicionário especializado que tente desvendar os signos que se apresentam ao iniciante.
Contudo, o fenômeno se torna mais emblemático quando, além de viver sob o jugo do inafastável binômio necessidade-prescindibilidade, o professor toma para si a obrigação de servir como instrumento de emancipação social. Em outras palavras, o educador, para ser honestamente assim chamado, precisa ser um revolucionário. Não digo um revolucionário que sai com bandeiras que servem para além de expressar um ideia também depredar. Falo da descoberta de territórios desconhecidos (Warat), da possibilidade de uma profunda revolução do desejo. Tal como Warat, penso em microrrevoluções desejantes, que poderiam configurar o que Guatarri chamaria de uma nova cartografia dos desejos.
É isso mesmo, o professor de Direito, que muitas vezes “encena seu amor vencido pela lei” precisa desconstruí-la. A lei que em determinados momentos liberta, também é meio de manipulação e opressão legitimadas pela mídia e pelo poder público. A mesma lei que defende a vida, mata e castra. Na academia, o culto à lei ainda é constante, e isso se dá não porque se ama a lei, mas porque ela dá poder: o poder de quem conhece. Em termos foucaultianos: o “saber-poder”.
A propósito, para prosseguir em nosso passeio, é preciso falar de algo paralelo a ele, talvez de alguém que caminha ao lado, mas que, transgredindo as leis da geometria, deixa de trafegar paralelamente e vem ao nosso encontro, diagonalizando-se ou perpendicularizando-se. Pois bem, o “algo paralelo” de que falava concerne a um fenômeno da vida como um todo, não é particularmente intrínseco à academia, mas nela se potencializa e, surpreendentemente, exterioriza com mais força, embora veladamente.
Falo agora das formas de relacionamento que a sociedade possui: de um lado aquela em que predomina o Amor e, de outro, aquela em que o poder se sobressai. Nas relações de poder pensa-se o mundo em termos de hierarquia, e esta pode se apresentar de infindáveis maneiras. Na sala de aula, a postura sobranceira, arrogante e antidemocrática do professor expressam bem isso.
Por sua vez, as relações de amor são pensadas a partir do ponto de vista da igualdade com o respeito às diferenças. Boaventura de Sousa Santos disse uma vez que “temos direito à igualdade sempre que a diferença nos inferioriza, mas temos direito à diferença toda vez que a igualdade nos descaracteriza.” Assim, não falamos em no respeito ao Outro por temor do poder que este possui, mas porque sentimos esta necessidade. Trata-se muito mais de uma questão de sensibilidade do que de uma razão racionalizante que se prende aos ditames do poder e a ele determina sejamos submetidos.
Em outros termos, o amor enquanto norteador inter-relacional exige o contato com o Outro em termos de igualdade. Para ser correto, sequer é necessário este pensamento, eis que pensar designa fenômenos da consciência, e o amor, ao contrário, está no campo do inconsciente. É tão evidente que pode estar escondido.
Na academia, assim como na vida social, costuma sair vitorioso o poder. Mas isso só ocorre quando há uma carência enorme. Explico melhor: a psicanálise, e antes a filosofia com Schopenhauer, já nos ensinaram que somos seres desejantes. E o somos porque somos carentes. Só se deseja algo que não se tem, ou que se tem em níveis insatisfatórios. Então, pela lógica capitalista individualista, ao invés de nos relacionarmos sincera e abertamente com os que nos rodeiam, edificamos muralhas que só nos permitem visualizar e sermos visualizados. E só.
Nosso orgulho não nos permite assumir essa condição de carência. Então, tentamos acumular e exteriorizar poder tanto quanto nos for permitido. Na realidade, este modo de se conduzir acoberta uma falta imensurável. Quanto maior o desejo de acúmulo e exteriorização de poder maior é a carência. Como dizia Jung, “que a sombra aumenta proporcionalmente com a luz é uma regra psicológica.”
Antes que eu esqueça, tenho que lhes dizer como vejo a interação educador-educando. Os preceptores são como pais, os acadêmicos, filhos. E às vezes a família se desentende. Aliás, uma intolerância (maldita) permeia essa relação frequentemente. É claro, temos uma tendência natural a exigir a perfeição daqueles que amamos: pais e filhos se amam e, via de consequência, idealizam-se mutuamente, em que pesem as reações, vez ou outra, soarem um tanto agressivas.
Mas nós, enquanto acadêmicos, precisamos também da reflexão como meio para a compreensão, pois os professores, assim como nós, são crianças, e a pergunta: o que queremos ser quando crescermos? Talvez tenha como resposta: “ser igual ao meu professor”. Daí dizer, com Renato Russo, que precisamos nos amar como se não houvesse amanhã. E cá entre nós: na verdade não há. Costumamos dizer que nossos professores não nos entendem, mas e nós: os entendemos?
Bem, já me alonguei o suficiente para que o discurso se tornasse enfadonho, ininteligível e cheio de vaivens. Por sinal enunciei aqui um discurso inconstante. Diria até: um discurso da impermanência. Não poderia ser diferente, posto que ele trata da educação como um processo fundante da nossa subjetividade, a qual é construída a partir de nossas escolhas e desejos (como dito por André Newmann, interpretado por Michel Melamed) , mas de nossas escolhas e desejos em relação às escolhas e desejos do Outro – destacaria aqui, com Guatarri e Levinás: o “entre-nós” pedagógico como espaço da subjetividade (enquanto processo de subjetivação).
Não é à toa que tal ocorre. O vir-a-ser dos signos e da sua concatenação segue a lógica do devir afetivo inerente à vida. Opera-se, então, a reciprocidade afetiva inaugural. Os educandos, enquanto Outro da relação voltam-se ao Eu docente. Assim, caros mestres, assevero-lhes: quem vos fala não é o preposto duma coletividade de formandos: quem vos fala, são os nossos corações.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Trecho da minha monografia

 Disponibilizo a vocês um trecho da monografia que redigi recentemente, intitulada: "Por um Direito da transgressão: fragmentos amorosos para um discurso jurídico revolucionário". Ressalto que não constam as notas de rodapé com esclarecimentos e referências, posto que a finalidade é apenas divulgar o conteúdo. 


TRANSGRESSÕES FINAIS: MANIFESTOS PARA UMA ECOLOGIA DOS  AFETOS – OU FRAGMENTOS (AUDACIOSOS) PARA UMA (AMOROSA) REVOLUÇÃO LIBERTÁRIA: COMEÇO QUE VIRA FIM QUE VIRA COMEÇO

“Desacreditada pela
opinião moderna, a
sentimentalidade do
amor deve ser assumida
pelo sujeito apaixonado
como uma forte
transgressão, que o
deixa sozinho e exposto;
por uma inversão de
valores, é pois essa
sentimentalidade que faz
hoje o obsceno do
amor.”
(Roland Barthes)


Como Deleuze e Guatarri, “é preciso começar pelo fim”. É preciso iniciar em devir. Também o é possível em Warat, que começa seu “O amor tomado pelo amor: crônica de uma paixão desmedida” pelo fim, que constitui, portanto, seu começo e que, em seguida, vira fim. O texto como devir. Ele nunca é, quando termina, inicia-se… Trata-se de um instante mágico da escrita, aliás, de instantes mágicos, no plural, porque plural é ele – o texto. Nunca é o mesmo. O Amor é assim, é efervescente, é candente, é incerto, é imprevisível… É tudo isso e muito mais: é tudo isso e o seu oposto. Isso porque também é terno, sublime, delicado, ingênuo, caritativo, um castrador para os sádicos. O Amor se permite trafegar pelos túneis poéticos do paradoxo. Não à toa que Camões disse uma vez que:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Pode-se dizer que o soneto de Camões, para o Direito, mas, sobretudo para a vida, é um devir, um devir-poético. O devir, como dito em outro momento, é sempre minoritário.Como a perspectiva poética é costumeiramente deixada de lado, à margem – por isso: uma poesia marginal, porque transcende a esfera da
racionalidade prosaica, é de se enunciar que ela devém juridicamente. O Direito agora está em um devir-poesia, devir-música, devir-afetivo, devir-amoroso. Levanta-se, então, um fragmento de insurreição waratiana: o Direito e a vida reivindicam “um canto do ambíguo, do devir permanente.” Warat defende uma ecologia afetiva, consistente, entre outras coisas, numa prática psicopedagógica que “permita verbalizar o fantasma do amor como condição da autonomia, como condição do vir-a-ser de uma sociedade povoada de indivíduos que se tornem, como diz Guatarri, ‘a um só tempo solidários e cada vez mais diferentes’.”252 É dizer, que “a eficácia libertária de uma proposta ecológica depende de uma visão psicanalítica que possa cativar-nos para um devir de incertezas: o convite para a descoberta do
novo (…).”
Não obstante, tem-se uma erotização do texto, mais que isso, uma erotização do Direito e, por inequívoco, da vida. Em vão não é que se está a falar de ecologia dos afetos e de uma certa correspondência com o perfil transgressivo – apesar de, em princípio, o título destas transgressões finais ter sido criado sem um precedente
exato, uma inspiração específica da qual decorresse o seu nascimento. Luis Alberto Warat, certa vez assinalou amorosa e transgressivamente:


A ordem instituída e a regularidade são um princípio de morte instalado na vida. Para vencê-lo, devemos produzir um excesso, transtornando ao máximo a continuidade, isto é, erotizando o movimento regrado. Provocando o imprevisto. O erotismo é um excesso de imprevisibilidade. É a descontinuidade significando-se. (…). Enfim, o erotismo é um desejo de transgredir. Nesse ponto é que se dá em mim a fusão do erotismo e da marginalidade. É o território das significações, das perguntas e das respostas sem paradigmas, abertas ao infinito.

A propósito, discorrer sobre o Amor no Direito é um ato de transgressão. Transgride na medida em que contradiz os arrimos paradigmáticos (decadentes) da Ciência Jurídica (Moderna). Introduz os afetos no estudo, na construção teórica e, principalmente, na “pragmatização” jurídica de modo que não deixa, jamais, de lançar seu olhar ao Outro. Para agir subversivamente é preciso ter audácia. A audácia que desafia o ríspido, o frio, o cruel do Direito: a lei como premissa científica. Trata-se de compartilhar da mesma coragem de Warat e tomar para si “o dever de inscrever o amor e a emancipação no meio do poder.”
Falou-se aqui – e fala-se por aí – em libertação, em emancipação, em alteridade e compaixão – em uma palavra: revolução. No Direito não se pode mais assumir a postura de um filósofo sentado – contra quem foram lançados diatribes de Amor – ou de um jurista apático, agarrado à lei como que a um deus; transformando o que deveria ser tomado como parâmetro em mito. Recorrer à transgressão surreal, juntar o Direito à música: eis uma provocação surrealista. Opor a transgressão a todos os saberes, às normativizações, à pedagogia jurídica, à “pureza” no Direito, ao niilismo, ao pessimismo, ao conformismo. Enfim, transgredir a conservação do que foi imposto (demagogicamente) sob o argumento democrático, “(…) tomar parte na destruição de ideais ou de teorias obsoletas, ainda que isso deva perturbar algumas sonolências dogmáticas.”
Retomando a perspectiva surrealista é possível crer num Direito subversivo em relação à ordem quando esta é a da exclusão; do não-Amor; da renúncia e da castração amorosa. Subverter a si mesmo. Deve-se, então, transgredir para não sufocar os ideais do Amor. Mas em que sentido se está a falar em transgressão? Neste: Transgredir é transcender o limite do horizonte. É sobrepujar o encarceramento por ele produzido sem que se necessite comportar belicosamente. Trata-se de um ato de libertação. Libertar-se das grades e dos grilhões impostos pelo poder e aceitos docilmente – como?
Com efeito, falar de revolução é exigir a liberdade, é fazer valer o ideal democrático, é reconhecer que há algo de intrínseco, de profundo, de imprevisível, de humano na liberdade. “De que hablamos cuando hablamos de libertad? (…) “La respuesta: hablamos de amor.” Por isso é que revolucionar verdadeiramente
deve ter um fundamento amoroso, negando a cegueira produzida pela certeza e contemplando no “Amor, a única revolução verdadeira”
Escreveu-se aqui um texto sem um começo bem definido e se terminará de igual forma. Isso porque não se tem o fito de apresentar definições; ao contrário, a ideia é desconstruí-las, transgredindo-as amorosamente. Pautando-se pela ética da alteridade, pela compaixão, pela solidariedade ou por outro meio afetivo – pouco
importa. O essencial é o livramento (pluralista) de um monismo científico-normativo que castra os desejos humanos, seja qual for o caminho percorrido. No Amor não há “começo e fim”. Há um “sempre-começo”. Cosmopolítica e geograficamente pode-se dizer que (amorosamente) é possível sempre começar de qualquer ponto do mundo sem que nunca se encerre a trajetória romântica. O Amor no mundo como rizoma e a formação de uma ecologia dos afetos: assim é que a vida democrática será um vir-a-ser infinito, haverá um devir-amoroso; incerto, é verdade, porque é devir, mas ainda (e sempre) um devir.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Tantas coisas tristes, tantas coisas alegres, tantas coisas... Assim é a vida, assim é a felicidade e o Amor...

Tantas coisas tristes, tantas coisas alegres, tantas coisas... Assim é a vida, assim é a felicidade e o Amor...

Tive que começar o texto com o título. Não achei nada melhor. Não me sinto muito criativo hoje, um pouco literário, mas não criativo.

Poderia falar de muitas coisas, muitas mesmo. Mas de que adiantaria? O post seria enorme e ninguém leria. Alias, hoje ninguém leu meu Blog, além de mim. É isso mesmo. Quando o acessei hoje e pesquisei suas estatísticas vi que nenhuma boa alma o havia encontrado ou por ele se interessado.

Coisas da vida. Uma das coisas tristes, diga-se, por oportuno. A vida é assim, acometida a todo instante por infortúnios.

As obrigações... ah, as obrigações. Como me corroem! Lançam-me contra meu próprio Eu libertário. Mas que é uma vida sem elas? Que é a liberdade sem elas? Talvez mais um florido obituário. Pouco importa. Se bem que muito importa...

Como posso querer a transgressão se não desejo a regra ou a obrigação? Cá entre nós: "elas são ruins, muito ruins." Porém, boas ou ruins, isso não importa mesmo. O que vale é perceber que os grilhões só oprimem para que possamos nos desvencilhar deles, e não nos tornemos escravos da nossa liberdade. É verdade!

Por falar nisso, a "verdade" é o quê? É a aparência aos olhos de quem vê. Pobre rima, diria até lamentável se no fundo não fosse amável.

Bem, acho que o título fala mais do que as palavras que o tentaram descrever, por isso é que um novo post se aproxima e grita antes mesmo de nascer. Felicidade!!! O que se falará depois é a mais pura verdade, pelo menos para mim. Simples assim...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Poligamia não-amorosa

Este é mais um simples soneto, sem respeito às regras para a sua formulação, confeccionado durante alguma das (muitas) aulas chatas da faculdade.


Não preciso amar uma só pessoa,
devo amar com carinho e inspirar confiança
Com brilho nos olhos e muita esperança
Sem viver a vivendo à toa.

Amo sem segredo
e não abro mão do mistério.
Sem jogá-lo no cemitério
exorcizo fantasmas que me causavam medo

O Amor enquanto tal não se fecha
Ao contrário é aberto
Não possui um só amado certo
Amo mais o Amor quando me beija.




Apresento-lhes a poligamia não-amorosa
Aquela que gera dor
Decorre da cegueira que impede amar o Amor
Nela o sujeito não ama, apenas goza.



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O número de Jesus

Poucos sabem. Mas também a Jesus é associado um número. Não é raro que se saiba que o 666 é o número da besta, seja porque foi lido no apocalipse ou porque ouviu algum roqueiro maluco falar que adora "The number of the beast".

Pois bem, ao olhar hoje  as estatísticas do Blog "O AMOR: um SIM; um NÃO: uma TRANSGRESSÃO", fui surpreendido com o número de acessos: 888. Não que isso seja significativo do ponto de vista da popularidade, é claro que não. Por sinal trata-se de uma quantidade muito tímida.

Contudo, senti-me feliz. Não acredito que as coisas acontecem por acaso. Aliás, até acontecem, se chamarmos de acaso o que não pode ser decifrado pela mera razão, mas exige que se reflita com o coração (até rimou...).

Destarte, encontrei-me obrigado a fazer este post, não porque estava eu inspirado ou porque havia acordado meio literário. A propósito, este post é bem singelo, com palavras simples, mas com um escopo demasiado complexo e importante: relembrar Jesus. Afinal, seu aniversário está chegando, e ouvi dizer por aí que ele está bem exigente quanto ao presente pretendido: ele quer de cada um de nós AMOR. E mais, não pede AMOR só para ele. Pede, sobretudo, para que nos amemos entre nós, como um modo de formação do Entre-nós.

E você: por "acaso" vai deixar Jesus sem o presente?


PS: Para quem ficou curioso a respeito do número 888, basta acessar estes dois sites nos quais constam explicações acerca do tema.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Amor que nasce e do qual o novo nasce












Falar de Amor é falar do novo, do inusitado.
De um impulso que nos faz seguir.
É o Amor uma forma de devir,
Um devir que nos deixa assustado.

Outrora pensava eu que em certo tempo tudo acontecia
mas percebi o erro e alcancei a redenção
Não sabia tão bem o que falava, afinal era uma emoção
Aquelas palavras eram, sem querer, uma profecia.

Considerava que o Amor era um sentimento crescente
Já hoje disso estou convicto,
pois mais do que pensamento

Vi que o Amor não é racional, foge à nossa mente.
Por incompreensível, às vezes parece iníquo,
tornando ainda mais belo esse insólito sentimento.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Soneto à Flor de um poeta (que aprendeu a amar)


Sete anos de Amor
a entender dão, tudo acontece
e se o dia escurece
o afeto lhe clareia e dissipa-se o terror.

À poesia dá-se o autor...
Isso, porém, não o enobrece
pois que tal só acontece
quando dá-se ao Amor.

Sobre a vida o poeta faz a glosa.
Mais que isso ele a brinda
Taciturno ou escandaloso, é sempre assim.

Quer ficar com sua rosa
Bela é a vida; a rosa é linda
Agarra-a ali; ela é seu Amor; seu nome: Roseli.

domingo, 20 de junho de 2010

Apresentação




Caros amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos, curiosos, pobres ou ricos, negros, índios, amarelos ou brancos, enfim, todos aqueles que sejam humanos (ou não): a vocês se dedica este Blog. Isso porque aqui está mais um espaço para se falar do AMOR, um sentimento universal. Entretanto, não se pode confundir o universalismo amoroso com as tendências universalizantes que há tempos assolam a vida e, por conseguinte, o AMOR, pois estas exteriorizam a negação da diferença intrínseca às inúmeras classes sociais. A igualdade universal, tipicamente moderna, mais parece indiferença, pois nega tudo aquilo (e todos aqueles) que pode(m) ser insólito(s). Não se olvide do pensamento expresso em palavras de Boaventura de Sousa Santos: Temos o direito a ser iguais sempre que as diferenças nos inferiorizam. Temos o direito a ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza".